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Há algo podre no Brasil

21 de mar. de 2017
2 min de leitura

Nosso queijo, mineiro, legítimo, de leite cru, tem a sua venda proibida fora do estado. A versão vendida, no resto do Brasil, é uma versão pasteurizada, criada pelos grandes laticínios, para driblar as exigências da Anvisa. A receita original só pode ser vendida, ainda, porque os produtores conseguiram, após uma batalha, torna-lo “Patrimônio Cultural” do estado, o que libera a sua comercialização, dentro de nossas fronteiras. Caso semelhante é o dos embutidos artesanais. Apesar de, incontestavelmente, terem uma qualidade superior, aos industrializados, em sua maioria, são proibidos, pois não passam pelo “crivo” dos órgãos fiscalizadores.

O açougueiro do bairro não pode, mais, produzir a própria linguiça, nem comprar carne, fresca, do pequeno sitiante, com quem negociava há 2 gerações. O sitiante não pode, mais, ter um pequeno laticínio e produzir seu queijo, fresco, para vender para vender na feira. O pasteleiro, na feira, não pode, mais, ter bisnagas de catchup e mostarda. A ciranda de proibições continua, infinitamente. Vetaram a maionese caseira, a colher de pau, o queijo curado de tabuleiro. O pequeno comerciante não consegue, jamais, seguir todas as normas sanitárias e, na primeira fiscalização, recebe uma multa que acaba fechando seu negócio. Enquanto isso, os grandes conglomerados, pagadores de impostos milionários e proprinas pornográficas, fornecem, para o povo, leite com soda, chocolate com inseto, molho de tomate com pelo de rato e, agora, carne podre, disfarçada com ácidos cancerígenos.

O Estado, em nenhum momento, visa o bem-estar da população. O objetivo é, apenas, fortalecer os “amigos”, os doadores de campanha, financiadores do projeto (criminoso) de poder. O esquema é simples. Um vendedor, de uma indústria “amiga”, vai até o açougue do bairro e recebe uma recusa do proprietário, que compra carne, há anos, de um pequeno fornecedor local. Poucos dias depois, o açougue recebe a visita de um fiscal sanitário, que o autua e exige uma série de adequações, que obrigam-o a abandonar o antigo fornecedor e passar a comprar das grandes indústrias. O monopólio, um dos maiores inimigos do capitalismo “puro”, é incentivado pelo governo, em nome da “propinocracia”. Assim, pouco a pouco, o Mercado, gerido por grevistas, piqueteiros e agitadores, vai definhando, sufocado por uma ideologia criminosa.

Alimentos contaminados, servidos para crianças, idosos e doentes, são apenas a ponta do iceberg. Uma amostra do quão pernicioso é o “corporativismo”, o “capitalismo de compadres”, onde o Estado detém todo o poder e só os “amigos do rei” conseguem espaço. Fica evidente que o Mercado sem liberdade é como a carne sem refrigeração: APODRECE!


 
 
 

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