ESSA TAL DE BRASILIDADE
Hoje, o maior movimento cultural, de resgate às raízes brasileiras, está em andamento. Na arte, na gastronomia, só se fala em "brasilidade". Mas, o que significa esse termo, afinal? Qual o objetivo desse movimento? O que todos chamam, e festejam, como resgate das raízes brasileiras, é, simplesmente, uma pá de cal sobre todas as tradições culturais, que formaram o Brasil, com suas culturas misturadas, sua identidade única. A Brasilidade foca, puramente, na cultura indígena. Qualquer chef de cozinha, para credenciar-se como parte do movimento, deve conhecer a Amazônia, mas não precisa, sequer, saber que o resto do país existe. Pergunto, então: Qual é o tamanho da contribuição da cultura indígena, para a construção da identidade nacional? Sem esse papinho de "legítimos donos da terra", estou falando da identidade BRASILEIRA, não do que era antes. E o Brasil, como conhecemos, foi construído por portugueses, italianos, africanos, alemães, japoneses, e tantos outros, que misturaram-se em uma cultura única, que hoje é desprezada. Temos uma das culinárias mais ricas do planeta; Temos o maior rebanho de corte, com carnes de primeira qualidade; Temos 7367 km de litoral, com uma fauna marinha riquíssima; Temos uma região com produção de queijos únicos (Serra da Canastra), com paralelos, apenas, nas tradicionais regiões europeias; Mas, para o mundo, só sabemos mostrar tapioca e tucupi. Não temos orgulho das nossas raízes, das tradições e costumes dos nossos pais e avós. Com isso, nos tornamos um país de fracos. Não protegemos àquilo que não nos importa, não defendemos àquilo que não amamos. Assim, nossos inimigos ganham espaço e destroem, pouco a pouco, o que um povo tem de mais importante: A identidade. Estamos perdendo a guerra ideológica, inclusive nas mesas. E a culpa é NOSSA, que não conhecemos, o suficiente, nosso país, para ama-lo e defende-lo, como merece. Nada contra a cultura indígena. Tem meu respeito e minha admiração. Mas toda a tradição, maravilhosa, desse país continental, não cabe, somente, em uma folha de bananeira.


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